Em março de 2020, a Fiocruz organizou a Rede Genômica, reunindo laboratórios e unidades de referência da fundação em todo o Brasil, além de instituições parceiras, para conduzir a vigilância genômica do SARS-CoV-2. A rede passou a decodificar o genoma viral, monitorar linhagens em circulação, identificar variantes e apoiar a resposta da saúde pública diante do avanço da pandemia. Em articulação com os Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens) dos estados, equipes multidisciplinares passaram a analisar amostras e produzir informações para subsidiar as autoridades sanitárias federais e estaduais, além de compartilhar seus achados em bases de acesso aberto, como o Gisaid, banco global de dados genômicos coordenado pela OMS. Com cerca de 200 a 250 pesquisadores e técnicos, a iniciativa permitiu acompanhar o surgimento e a disseminação de variantes de preocupação, isto é, variantes associadas a maior transmissibilidade ou a quadros mais graves de doença. Com o avanço da vacinação, esse monitoramento também passou a indicar quando mutações virais poderiam afetar a proteção conferida pelos imunizantes, contribuindo para sua atualização e melhor adequação aos vírus em circulação. Em outubro, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação criaria a Rede Corona-ômica BR, reunindo laboratórios em todo o país, sobretudo de universidades, para articular e fortalecer a vigilância genômica no país.