A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou o fim da Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional (ESPII) relativa à Covid-19, em vigor desde 30 de janeiro de 2020. A decisão, recomendada pelo Comitê de Emergência do Regulamento Sanitário Internacional, baseou-se na redução no número de mortes e hospitalizações e no alcance da vacinação da população, ainda que a cobertura vacinal tenha sido muito desigual em termos globais. Ao comunicar a medida, o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus apresentou um balanço dos mais de três anos de crise: quase 7 milhões de mortes notificadas; impactos significativos sobre sistemas de saúde, comércio e economia; disseminação de desinformação; e agravamento das desigualdades, com populações mais vulneráveis sendo desproporcionalmente afetadas. Na ocasião, o diretor destacou que o fim da emergência não significava desmobilização, mas a transição do modo de resposta emergencial para o manejo contínuo da doença, com manutenção da vigilância, da vacinação e das estratégias de prevenção. Em relatório publicado posteriormente, em 13 de maio de 2026, a OMS estimou em 22,1 milhões o número de vidas ceifadas pela pandemia entre 2020 e 2023. A diferença, refletindo mais que o triplo de óbitos originalmente registrados, estaria relacionada a subnotificações e a mortes não diretamente causadas pelo vírus mas impulsionadas pelo aflitivo quadro sanitário do período, que comprometeu severamente os sistemas de saúde.